Pataniscas de Bacalhau e Grão (Old Shool)

Aventuras na Cozinha: O Mistério das Pataniscas e o Livro da Minha Mãe 🕵️‍♀️🐟


Vista superior de uma mesa com toalha de xadrez azul e branca, exibindo um tacho preto com arroz de tomate e uma travessa oval com várias pataniscas fritas e douradas.

Sabem aqueles dias em que o estômago começa a pedir algo muito específico? Pois bem, as pataniscas de bacalhau não me saíam da cabeça! Tinha um resto de bacalhau no congelador e, quando me preparava para as fazer "como sempre", deu-me um clique: com tantos livros de culinária na estante, algum haveria de ter uma abordagem diferente. 

Resgatei esta autêntica relíquia: "O Mestre Cozinheiro" (9.ª Edição). Este livro pertenceu à minha mãe e, embora não me lembre de a ver a usá-lo, ele estava sempre lá, algures na sala. Quem lhe dava bom uso era a minha irmã do meio para fazer bolos — e aqui abro um parêntese para uma private joke: a famosa bolacha gigante de milho saiu daqui! (Prometo trazer a receita em breve, juro!).

O que mais me diverte nestes livros antigos é o "minimalismo" das instruções. Esqueçam as listas infinitas de ingredientes ou os passos detalhados. Naquela altura, a descrição era curta, as imagens eram raras e as quantidades... bem, as quantidades eram um conceito abstrato!
É quase um teste à nossa intuição de cozinheira: "ponha um pouco disto" e "mexa até estar no ponto". 

Mas aceitei o desafio! A receita deste mestre é bastante diferente das versões modernas que costumamos ver. Preparei a massa, levei-as a fritar até ficarem bem douradinhas e o resultado foi uma viagem direta ao passado. Para acompanhar, não podia faltar aquele arroz de tomate malandrinho que faz o par perfeito.  No prato, ainda juntei uma couve roxa para dar cor e equilíbrio. Posso dizer-vos que, apesar das instruções escassas do livro, o sabor foi uma surpresa maravilhosa!


E por aí, também têm "relíquias" destas guardadas na estante que vos pregam partidas com as quantidades? Contem-me tudo! 👇



Ingredientes:
  • 500 gr de bacalhau já cozido (tinha uma sobra congelada no congelador)
  • meio frasco de grão já cozido (tinha um resto para gastar)
  • pimenta preta moída a gosto
  • fio de azeite a gosto
  • sumo de limão a gosto
  • 1 ovo
  • 5 colheres de sopa de pão ralado
  • Azeite para fritar

Preparação:

Aqui têm o passo-a-passo para recriarem estas pataniscas cheias de alma e com aquele "twist" do pão ralado que as torna tão especiais:

1. Preparar a base: Comecem por cozer o bacalhau. Assim que estiver pronto, desfiem-no com cuidado, retirando todas as espinhas — sabemos bem que há sempre uma rebelde que teima em ficar escondida! Esmaguem o grão com a ajuda de um garfo, queremos pedacinhos, por isso não precisa de estar mesmo em puré.

2. O segredo está no repouso: Numa tigela funda, juntem o bacalhau e o grão, e temperem-no com pimenta preta, sumo de limão e um fio de azeite. Deixem esta mistura repousar e ganhar sabor durante uma hora.

Grande plano de uma taça de metal contendo a massa para as pataniscas, composta por bacalhau desfiado, ovos, pão ralado e ervas aromáticas.
3. Dar corpo à massa: Passada a hora de descanso, adicionem o ovo batido e o pão ralado. É esta combinação que foge ao que estamos habituados hoje em dia e que dá a textura autêntica desta receita antiga.

4. O momento da frigideira: Aqueçam bem o azeite e, com a ajuda de uma colher, fritem porções generosas da massa. Tenham apenas o cuidado habitual com os salpicos de azeite quente! Virem as pataniscas quando começarem a dourar e retirem-nas assim que ambos os lados estiverem com aquela cor irresistível. Repitam o processo até a massa terminar.

5. À mesa com tradição: Para uma experiência completa, sirvam com um belo arroz de tomate bem "malandrinho" (ou de feijão, se preferirem) e não esqueçam os grelos ou uma saladinha fresca para dar aquele equilíbrio perfeito ao prato.


O resultado? Um conforto puro em cada garfada, que nos faz viajar no tempo!




Capa envelhecida do livro de culinária "O Mestre Cozinheiro", 9.ª Edição, apresentando ilustrações coloridas de uma lagosta, tomates e outros alimentos sobre um fundo claro.Capa envelhecida do livro de culinária "O Mestre Cozinheiro", 9.ª Edição, apresentando ilustrações coloridas de uma lagosta, tomates e outros alimentos sobre um fundo claro.


Kitchen Adventures: The Mystery of the Pataniscas and My Mom’s Cookbook 🕵️‍♀️🐟

You know those days when your stomach starts craving something very specific? Well, I just couldn’t get codfish fritters out of my head! I had some leftover cod in the freezer, and as I was getting ready to make them “the usual way,” it hit me: with so many cookbooks on the shelf, surely one of them must have a different approach.

That’s when I dug out this true relic: “The Master Chef” (9th Edition). This book belonged to my mother, and although I don’t remember seeing her use it, it was always there, somewhere in the living room. The one who put it to good use was my middle sister for baking cakes—and here I’ll insert a parenthesis for a private joke: the famous giant corn cookie came from here! (I promise to share the recipe soon, I swear!).

Quatro pataniscas de bacalhau de formato irregular a fritar numa frigideira preta com azeite quente e borbulhante.

What amuses me most about these old books is the “minimalism” of the instructions. Forget endless ingredient lists or detailed steps. Back then, the descriptions were brief, the pictures were few and far between, and the quantities… well, quantities were an abstract concept!

It’s almost a test of our culinary intuition: “add a little of this” and “stir until it’s just right.”


But I accepted the challenge! This master’s recipe is quite different from the modern versions we usually see. I prepared the dough, fried the fritters until they were golden brown, and the result was a trip straight back in time. To go with it, I couldn’t leave out that playful tomato rice that makes the perfect pairing. On the plate, I also added some red cabbage for color and balance. I can tell you that, despite the book’s sparse instructions, the flavor was a wonderful surprise!


And how about you—do you also have “treasures” like this tucked away on your bookshelf that play tricks on you with the measurements? Tell me all about it! 👇


Ingredients:

  • 500 g of pre-cooked cod (I had some leftovers in the freezer)
  • half a jar of cooked chickpeas (I had some leftovers to use up)
  • ground black pepper to taste
  • a drizzle of olive oil to taste
  • lemon juice to taste
  • 1 egg
  • 5 tablespoons of breadcrumbs
  • Olive oil for frying


Vista superior de uma mesa com toalha de xadrez azul e branca, exibindo um tacho preto com arroz de tomate e uma travessa oval com várias pataniscas fritas e douradas.



Preparation:

Here’s a step-by-step guide to recreating these soulful pataniscas with that breadcrumb “twist” that makes them so special:

1. Prepare the base: Start by cooking the cod. Once it’s done, flake it carefully, removing all the bones—we know there’s always one stubborn one that insists on staying hidden! Mash the chickpeas with a fork; we want small pieces, so they don’t need to be completely mashed.

2. The secret is in the resting time: In a deep bowl, combine the cod and the chickpeas, and season it with black pepper, lemon juice, and a drizzle of olive oil. Let this mixture rest and develop flavor for an hour.

3. Building the batter: After the hour of resting, add the beaten egg and breadcrumbs. It is this combination—which differs from what we’re used to today—that gives this old-fashioned recipe its authentic texture.

4. Time for the frying pan: Heat the olive oil well and, using a spoon, fry generous portions of the batter. Just take the usual care with splashes of hot oil! Flip the pataniscas when they start to brown and remove them as soon as both sides have that irresistible color. Repeat the process until all the batter is used up.

5. A traditional meal: For the full experience, serve with a delicious, hearty tomato rice (or bean rice, if you prefer) and don’t forget the turnip greens or a fresh salad to give the dish that perfect balance.


The result? Pure comfort in every bite, taking us back in time!


Prato de cerâmica branco servido com uma dose de arroz de tomate, duas pataniscas de bacalhau bem douradas e uma porção de couve roxa cozinhada.

 

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